Mosarambihára


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O Programa de Formação Mosarambihára teve sua discussão iniciada em novembro de 2013, quando um desenho inicial foi discutido, oportunizando um tipo de formação diferenciada nas áreas de referência do Projeto GATI (Gestão Ambiental e Territorial Indígena). Essa formação seria inspirada na experiência de Caarapó com a Unidade Experimental ligada à Escola Indígena Nhandejara Polo, na aldeia Te’yikue, com mais de dez anos de trabalho de produção de alimento, como parte do currículo da escola. Assim, o Programa Mosarambihára foi iniciado somente em 2015, quando um acordo foi firmado entre a ASCURI e o Projeto GATI (FUNAI/PNUD/MMA/GEF) para a execução de atividades nas Terras Indígenas de Sassoró. Jaguapiré, Pirakuá e Te’yikue.


Os mosarambihára são jovens indígenas que se envolveram com o programa, por estarem mais sensíveis com a questão ambiental, da territorialidade e seus conflitos e da transmissão de conhecimentos tradicionais. O objetivo que guiou todas as ações foi compreender o processo histórico dos impactos ambientais sobre as terras e territorialidades indígenas e também o que significa todas essas questões na atualidade, ou seja, o que é a mata, a floresta, as sementes, a agricultura na visão tradicional Kaiowá e Guarani. Entender esses processos e entender a realidade enquanto desafio próprio, depois pensar o que deve ser feito e entrar com propostas de encaminhamento de ações pontuais – esse é o verdadeiro sentido do Programa Mosarambihára.


Para a formação dos Mosrambihára foram fundamentais as oficinas de etnomapeamento e as oficinas de produção audiovisual, pois foram sendo trabalhadas e desenvolvidas a partir do diálogo entre os mais velhos e os mais jovens. As duas oficinas de produção audiovisual foram realizadas com a presença do professor indígena (Quechua) boliviano Ivan Molina, atualmente Diretor da Escuela de Cine e Artes de La Paz (ECA). Ivan também esteve presente no Seminário Audiovisual, Sustentabilidade e Autonomia (ASA), realizado na FAIND/UFGD (Faculdade Intercultural Indígena da Universidade Federal da Grande Dourados) em ocasião da etapa presencial de abril de 2016 do curso de Licenciatura Kaiowá e Guarani Teko Arandu.

Contando com a realização do FIDA (Fórum de Discussão sobre Inclusão Digital nas Aldeias), ocorrido na Terra Indígena Porto Lindo (Japorã/MS), foram produzidos 10 curta-metragens (4 a 15 minutos) pelos alunos das oficinas, com temas relacionados às suas próprias visões do que é terra, cultura, tradição, língua, cotidiano indígena, plantas medicinais, mata e agricultura, além do filme produzido sobre a retomada de Nhanderu Marangatu, que havia acabado de ser atacada por fazendeiros (região de Antonio João/MS).